Você sabia que até o FBI, já
perdeu sinais importantes, como por exemplo eventos que poderiam indicar o
risco de um atentado antes do terrível “11 de setembro”?
Conta-se que havia informações
importantes pulverizadas entre áreas que não se comunicavam o suficiente porque
trabalhavam como ilhas e além disso, não contavam com recursos tecnológicos
importantes.
“A carência de sofisticação
tecnológica foi apontada como sendo talvez a principal razão de o FBI ter
falhado de forma tão grave nos dias que antecederam o 11 de Setembro. “Os
sistemas de informação do FBI eram completamente inadequados”, concluiu o
relatório da Comissão. “O FBI não tinha a capacidade de saber o que sabia; não
havia nenhum mecanismo adequado para acessar ou compartilhar o conhecimento
institucional.” Jeff Sutherland
O que podemos perceber é que
Não é de repente.
Até que uma crise se revele,
muitos sinais foram ignorados.
Isso serve para o 11 de setembro,
para falar sobre um evento mais conhecido para todos, mas também serve para várias
outras situações nas nossas vidas.
Muitos de nós, já fomos
surpreendidos por acontecimentos de todo tipo, que nos deixaram aquele
sentimento de “como eu não vi isso antes?” ou a impressão de que “foi de
repente”.
Quer a situação caia como uma
bomba, ou como uma ocorrência menos grave, a maioria das crises não acontecem
de repente. Até que o problema maior se revele, muitos sinais foram ignorados. Isso
pode acontecer por diversos fatores e vou contemplar alguns deles nesse texto.
O primeiro aspecto que me parece
o mais comum, está associado à falta de atenção e presença genuína. Se não
estivermos conscientes, vivendo com qualidade de presença, muitos sinais importantes
podem passar despercebidos.
Veja o caso dos relacionamentos
afetivos, falta de atenção, de escuta, de qualidade nos momentos íntimos
diversos. Então, “de repente”, um dos dois decide pelo término da relação. O
outro mais desatento, pode estranhar: “Mas de repente?”
Se estivesse prestando atenção, talvez
tivesse percebido que o outro parou de se importar quando não estava mais
falando sobre seus desconfortos e insatisfações, quando o “tudo bem” se tornou
a única resposta – mesmo quando não estava tudo bem.
É certo que tem pessoas que vão
empurrando a relação com a barriga para ver até onde vai, mas muitas vezes, a
falta de atenção e cuidados cotidianos, podem acarretar o término de relacionamentos
que poderiam ter desfechos positivos se as duas pessoas estivessem mais
dispostas e atentas uma à outra.
Vamos para o trabalho.
Imagine essa situação: você
sempre recebeu feedbacks da sua liderança, muitas conversas, orientações, até
que os retornos diminuíram e você seguiu como se estivesse tudo bem. “De
repente” vem a demissão. Você fica chateado(a), e se pergunta, “mas como
assim?”
Acontece que os sinais estavam
ali, mas você não percebeu.
É claro que há situações e
situações, nesse caso, estou falando sobre a pessoa que insistiu em
comportamentos indesejáveis sobre os quais recebeu feedbacks diversos, até que
a outra parte entendeu que ela não estava a fim mesmo e decidiu por encerrar a
relação de trabalho.
Vamos para outra situação
hipotética: você percebe que seu time está cada vez mais apático, silencioso e não
te procura para nada. Mas você toma como verdade que são pouco comprometidos,
ou que “é assim mesmo, as pessoas tendem a ter esse comportamento indiferente
mesmo.”
Só que nos bastidores, as pessoas
estão decepcionadas, guardam suas boas ideias porque sentem que você não se
importa, perderam o desejo de contribuir e colaborar porque a sua liderança
gera “desamparo aprendido”.
Na prática, os sinais se
mostraram quando você agiu com cinismo em relação às queixas e necessidades da
equipe, ou quando você ignorou reivindicações legítimas, sem sequer dar retorno
para as pessoas, quando você deixou de parabenizar o time pelas conquistas e de
investir em ações possíveis e desejáveis para o fortalecimentos das relações.
Outro exemplo: seus clientes
começaram a dar sinais de que não estavam satisfeitos... consumidores que
estavam sempre presentes, foram se distanciando, você, focado nas novas vendas,
nos novos clientes que apareciam e aumentavam o volume de vendas, achou que
aqueles sinais não eram importantes. Mais à frente você percebeu que não estava
mais conseguindo fidelizar os novos clientes como antes... então decidiu voltar
aos antigos, mas a crise já está instaurada.
Agora, abordando as questões de
saúde: suponhamos que você esteja com grande demanda de trabalho. E pensa: “ah,
é assim mesmo”. Só que você piscou e se passaram três anos. A demanda não
diminuiu. O que caiu foi sua disposição para outras tarefas. Caiu seu interesse
por coisas que você gostava e nenhum novo interesse surgiu. Os finais de
semana, quando estão livres, são para dormir e descansar o corpo e a mente
fatigados. Mas o descanso também não está mais acontecendo como antes. Você
acorda com sono, chega segunda-feira para trabalhar cansado. Mas pensa: “é
assim mesmo.” Todo mundo está vivendo isso hoje em dia.
Então seu humor começa a se
modificar e soma-se a isso, uma gripe insistente, da qual você não está
conseguindo se recuperar como antes.
Vem uma crise – uma ansiedade
generalizada, uma coluna travada, ou outros eventos mais graves em saúde
mental.
Perceba: nosso corpo dá sinais de
estresse, que se não estivermos atentos, se agravam e assim, desencadeia-se uma
crise que poderia ter sido evitada se a nossa capacidade de conexão com a gente
mesmo, estivesse preservada.
Na neurociência afetiva, essa
capacidade é chamada de interocepção e se refere à nossa aptidão para
identificar e rastrear nossos sinais corporais internos.
Antônio Damásio nomeia a Homeostase
interoceptiva que garante que a vida seja regulada dentro de um intervalo que
não apenas seja compatível com a sobrevivência, mas também propício para o
desabrochar, para a proteção da vida até o futuro de um organismo ou uma
espécie.
Bem, até aqui acho que eu já dei
fartos exemplos sobre sinais que ignoramos e depois nos cobram altos preços.
Quero concluir, destacando a
relevância da nossa consciência, da presença e da atitude crítica diante das diversas
situações que experimentamos na vida.
Nossos cérebros têm seus
automatismos e vieses, algumas vezes uteis, noutras perigosos. Nesse sentido, a
autoconsciência, a consciência social, a leitura de contexto e a nossa
capacidade de foco e atenção, devem ser valorizadas e desenvolvidas.
Como vimos, na maioria das vezes,
diversos sinais surgem antes de uma crise. E a nossa capacidade para superá-la,
ou até onde vamos afundar nela, depende de como lidamos com esses sinais.
Por distração, ou as vezes por
não darmos mesmo importância a determinadas questões, podemos perder a
oportunidade de evitar algumas crises ou mesmo, de termos melhores condições
para enfrentar os problemas.
Então é bom tomar cuidado não só
com o que a gente não vê por não estar fazendo uma boa leitura do cenário, como
aquelas outras, em que faz vista grossa para situações que parecem desimportantes.
Para aprimorar sua habilidade de percepção
dos sinais, considere:
. Administrar
a si mesmo: emoções, relações, tempo.
. Cuidado
com seu “estilo preferido” (na liderança e/ou nas relações em geral). O “sempre
foi assim”, não acontece apenas nas empresas.
. Cuide
da sua saúde: durma bem, coma bem e preze por relações agregadoras e ganha-ganha.
. Procure
viver momentos de relaxamento e contato com a natureza.
. Conheça
novas pessoas e mantenha sua mente aberta para novas ideias.
. Respire
conscientemente.
Bem, vou encerrando por aqui! Espero
que tenha gostado do texto! Agradeço por estar por aqui e fico aguardando suas considerações...
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desenvolvimento individual, ou do seu time, faça contato! Terei prazer em
desenhar um programa alinhado às suas demandas e expectativas.
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