sexta-feira, 3 de julho de 2026

Aprendendo a ler os sinais que prenunciam as crises


Você sabia que até o FBI, já perdeu sinais importantes, como por exemplo eventos que poderiam indicar o risco de um atentado antes do terrível “11 de setembro”?

Conta-se que havia informações importantes pulverizadas entre áreas que não se comunicavam o suficiente porque trabalhavam como ilhas e além disso, não contavam com recursos tecnológicos importantes.

“A carência de sofisticação tecnológica foi apontada como sendo talvez a principal razão de o FBI ter falhado de forma tão grave nos dias que antecederam o 11 de Setembro. “Os sistemas de informação do FBI eram completamente inadequados”, concluiu o relatório da Comissão. “O FBI não tinha a capacidade de saber o que sabia; não havia nenhum mecanismo adequado para acessar ou compartilhar o conhecimento institucional.” Jeff Sutherland

O que podemos perceber é que

Não é de repente.

Até que uma crise se revele, muitos sinais foram ignorados.

Isso serve para o 11 de setembro, para falar sobre um evento mais conhecido para todos, mas também serve para várias outras situações nas nossas vidas.

Muitos de nós, já fomos surpreendidos por acontecimentos de todo tipo, que nos deixaram aquele sentimento de “como eu não vi isso antes?” ou a impressão de que “foi de repente”.

Quer a situação caia como uma bomba, ou como uma ocorrência menos grave, a maioria das crises não acontecem de repente. Até que o problema maior se revele, muitos sinais foram ignorados. Isso pode acontecer por diversos fatores e vou contemplar alguns deles nesse texto.

O primeiro aspecto que me parece o mais comum, está associado à falta de atenção e presença genuína. Se não estivermos conscientes, vivendo com qualidade de presença, muitos sinais importantes podem passar despercebidos.

Veja o caso dos relacionamentos afetivos, falta de atenção, de escuta, de qualidade nos momentos íntimos diversos. Então, “de repente”, um dos dois decide pelo término da relação. O outro mais desatento, pode estranhar: “Mas de repente?”

Se estivesse prestando atenção, talvez tivesse percebido que o outro parou de se importar quando não estava mais falando sobre seus desconfortos e insatisfações, quando o “tudo bem” se tornou a única resposta – mesmo quando não estava tudo bem.

É certo que tem pessoas que vão empurrando a relação com a barriga para ver até onde vai, mas muitas vezes, a falta de atenção e cuidados cotidianos, podem acarretar o término de relacionamentos que poderiam ter desfechos positivos se as duas pessoas estivessem mais dispostas e atentas uma à outra.

Vamos para o trabalho.

Imagine essa situação: você sempre recebeu feedbacks da sua liderança, muitas conversas, orientações, até que os retornos diminuíram e você seguiu como se estivesse tudo bem. “De repente” vem a demissão. Você fica chateado(a), e se pergunta, “mas como assim?”

Acontece que os sinais estavam ali, mas você não percebeu.

É claro que há situações e situações, nesse caso, estou falando sobre a pessoa que insistiu em comportamentos indesejáveis sobre os quais recebeu feedbacks diversos, até que a outra parte entendeu que ela não estava a fim mesmo e decidiu por encerrar a relação de trabalho.

Vamos para outra situação hipotética: você percebe que seu time está cada vez mais apático, silencioso e não te procura para nada. Mas você toma como verdade que são pouco comprometidos, ou que “é assim mesmo, as pessoas tendem a ter esse comportamento indiferente mesmo.”

Só que nos bastidores, as pessoas estão decepcionadas, guardam suas boas ideias porque sentem que você não se importa, perderam o desejo de contribuir e colaborar porque a sua liderança gera “desamparo aprendido”.

Na prática, os sinais se mostraram quando você agiu com cinismo em relação às queixas e necessidades da equipe, ou quando você ignorou reivindicações legítimas, sem sequer dar retorno para as pessoas, quando você deixou de parabenizar o time pelas conquistas e de investir em ações possíveis e desejáveis para o fortalecimentos das relações.

Outro exemplo: seus clientes começaram a dar sinais de que não estavam satisfeitos... consumidores que estavam sempre presentes, foram se distanciando, você, focado nas novas vendas, nos novos clientes que apareciam e aumentavam o volume de vendas, achou que aqueles sinais não eram importantes. Mais à frente você percebeu que não estava mais conseguindo fidelizar os novos clientes como antes... então decidiu voltar aos antigos, mas a crise já está instaurada.

Agora, abordando as questões de saúde: suponhamos que você esteja com grande demanda de trabalho. E pensa: “ah, é assim mesmo”. Só que você piscou e se passaram três anos. A demanda não diminuiu. O que caiu foi sua disposição para outras tarefas. Caiu seu interesse por coisas que você gostava e nenhum novo interesse surgiu. Os finais de semana, quando estão livres, são para dormir e descansar o corpo e a mente fatigados. Mas o descanso também não está mais acontecendo como antes. Você acorda com sono, chega segunda-feira para trabalhar cansado. Mas pensa: “é assim mesmo.” Todo mundo está vivendo isso hoje em dia.

Então seu humor começa a se modificar e soma-se a isso, uma gripe insistente, da qual você não está conseguindo se recuperar como antes.

Vem uma crise – uma ansiedade generalizada, uma coluna travada, ou outros eventos mais graves em saúde mental.

Perceba: nosso corpo dá sinais de estresse, que se não estivermos atentos, se agravam e assim, desencadeia-se uma crise que poderia ter sido evitada se a nossa capacidade de conexão com a gente mesmo, estivesse preservada.    

Na neurociência afetiva, essa capacidade é chamada de interocepção e se refere à nossa aptidão para identificar e rastrear nossos sinais corporais internos.

Antônio Damásio nomeia a Homeostase interoceptiva que garante que a vida seja regulada dentro de um intervalo que não apenas seja compatível com a sobrevivência, mas também propício para o desabrochar, para a proteção da vida até o futuro de um organismo ou uma espécie.

Bem, até aqui acho que eu já dei fartos exemplos sobre sinais que ignoramos e depois nos cobram altos preços.

Quero concluir, destacando a relevância da nossa consciência, da presença e da atitude crítica diante das diversas situações que experimentamos na vida.

Nossos cérebros têm seus automatismos e vieses, algumas vezes uteis, noutras perigosos. Nesse sentido, a autoconsciência, a consciência social, a leitura de contexto e a nossa capacidade de foco e atenção, devem ser valorizadas e desenvolvidas.

Como vimos, na maioria das vezes, diversos sinais surgem antes de uma crise. E a nossa capacidade para superá-la, ou até onde vamos afundar nela, depende de como lidamos com esses sinais.

Por distração, ou as vezes por não darmos mesmo importância a determinadas questões, podemos perder a oportunidade de evitar algumas crises ou mesmo, de termos melhores condições para enfrentar os problemas.

Então é bom tomar cuidado não só com o que a gente não vê por não estar fazendo uma boa leitura do cenário, como aquelas outras, em que faz vista grossa para situações que parecem desimportantes.

Para aprimorar sua habilidade de percepção dos sinais, considere:

.   Administrar a si mesmo: emoções, relações, tempo.

.   Cuidado com seu “estilo preferido” (na liderança e/ou nas relações em geral). O “sempre foi assim”, não acontece apenas nas empresas.

.   Cuide da sua saúde: durma bem, coma bem e preze por relações agregadoras e ganha-ganha.

.   Procure viver momentos de relaxamento e contato com a natureza.

.   Conheça novas pessoas e mantenha sua mente aberta para novas ideias.   

.   Respire conscientemente.

Bem, vou encerrando por aqui! Espero que tenha gostado do texto! Agradeço por estar por aqui e fico aguardando suas considerações...

Se precisar de apoio no seu desenvolvimento individual, ou do seu time, faça contato! Terei prazer em desenhar um programa alinhado às suas demandas e expectativas.

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terça-feira, 16 de junho de 2026

O acidente depois do acidente

 


acidente

a·ci·den·te

sm

1. O que é casual, fortuito, imprevisto.

2. Acontecimento infausto que envolve dano, estrago, sofrimento ou morte; desastre, desgraça: “[…] corre a notícia de que Juscelino Kubitschek teria morrido num acidente de carro na estrada que liga Luziânia a Brasília” (CA).

(...)

5. Disposição variada de luz: A luz solar banha todo o interior da igreja graças ao direcionamento magistral dos acidentes de luz. (Michaelis)

 

“Depois do acidente” foi uma série que assisti há uns dois anos e ficou marcada para mim.

A história é a seguinte: um pai preocupado com um contrato de milhões que estava para conquistar, se distraí da tarefa de amarrar uma corda que dava sustentação ao pula-pula do aniversário do filho, devido a uma ligação que recebe.  Tudo o que advém dali, é enorme: em dor, em atitudes, em injustiça, em gravidade. A série é muito boa, porque escancara a nossa humanidade. Tudo o que há de ruim e de bom no ser humano. Nesse caso, predomina o pior.

Se você assistir, talvez você não se identifique com nenhum personagem. Mas eu posso te assegurar, eles estão todos mais perto do que a gente imagina. Muitos desses comportamentos mais ou menos parecidos com algum erro ou descuido nossos e de pessoas bem próximas também.

Há uma mensagem que essa série traz, que diz o seguinte:

“Inventamos palavras especiais para nomear coisas que não entendemos: sorte, fortuna, coincidência, destino, magia, acidente. A vida é um belo acidente. Alguns de nós, conhecem o amor da sua vida por acidente. E há os acidentes que nos machucam, enormes, absurdos, avassaladores, acidentes que mudam o rumo da vida que imaginamos que teríamos.”

Diante do acidente recente que culminou com a morte da jovem moça durante o salto de “rope jump”, recordei dessa série e quis compartilhar com vocês algumas observações e reflexões que vêm me visitando há bastante tempo, tendo nesse texto, o segundo acidente como pano de fundo.

Como vocês sabem sou psicóloga clínica, professora e trabalho com desenvolvimento de pessoas e organizações. Por esse motivo, estou sempre em contato com seres humanos e suas vidas em diversas searas.

E no meu trabalho, dia a dia, algumas questões que têm me chamado atenção estão associadas à desconexão de si mesmos e dos outros, a dificuldade em desenvolver autoconhecimento e autoconsciência e a ausência de maturidade emocional em pessoas adultas.

Os diagnósticos vêm aumentando absurdamente. Agora todo tem um diagnóstico para definir alguma coisa na sua vida. E embora um diagnóstico correto seja importante para que possamos compreender nosso funcionamento, o que vemos em sua maioria, são pessoa se escondendo e justificando atitudes ou a falta delas por um diagnóstico. E isso não ajuda.

Vejam o caso da falta de atenção.  O TDAH é real e acomete muitas pessoas, sendo na prática, um transtorno que é muito mais do que “falta de atenção”. Para além dos diagnósticos, o que ocorre hoje, é uma crise de DESatenção que representam um grave sintoma dos nossos tempos.  Pessoas estão se perdendo de si mesmas, dos seus, daquilo que importa, por qualquer anestésico, qualquer coisa que não seja o real. Se o real dói, algumas pessoas optam consciente ou inconscientemente, por algo que lhes livre da dor e traga prazer.

O problema é que lá na frente, isso vai ficar mais difícil. A dor tamponada aqui, as emoções e sentimentos que tentamos ignorar, aparecem na pele, nos problemas respiratórios e em tantas outras marcas no corpo e nas relações.

Na dificuldade de lidar com a dor, está a falta de maturidade emocional e psíquica. Às vezes a pessoa não tem recursos próprios mesmo, então precisa procurar ajuda. Mas embora os consultórios de psicologia estejam lotados, ainda há muitas pessoas procurando psiquiatras para se medicarem. É certo que o medicamento tem seu valor e necessidade em muitas situações, mas com alguma frequência, ouço pessoas dizerem que foram ao médico, estão medicados, então, estão bem agora.

Dois pontos importantes: Ir à terapia, não significa estar em análise. Muitas pessoas apenas frequentam as sessões, mas não se implicam com elas. Tomar medicamentos não resolve os seus problemas, apenas apazigua, ou minimiza o sofrimento.

Voltando à jovem moça que confiou cegamente nos seus algozes (para não dizer coisa pior). Aquela “menina” também somos nós, nos perdendo e descuidando de nós mesmas(os) em diversas situações em que que deveríamos nos preservar. É preciso cuidar. Imagina que possivelmente na euforia da experiência (estou supondo) ela nem pensou que precisava se certificar de que estava amarrada - bem amarrada.

E aqui entra a parte mais difícil dessa conversa. Obviamente, não estou tirando a responsabilidade da “empresa” pelo crime. Mas veja o grau de vulnerabilidade e imaturidade que a Maria Eduarda tinha para ter tomado a decisão desse saltar daquela ponte. A propósito, que os pais tenham em mente que jovens com menos de 25 ainda estão alcançando a formação de uma área no cérebro, fundamental para a tomada de decisões:

“O cérebro termina de se desenvolver e amadurecer entre os 25 e 30 anos. A parte do cérebro localizada atrás da testa, chamada córtex pré-frontal, é uma das últimas a amadurecer. Essa região é responsável por habilidades como planejamento, priorização e tomada de boas decisões.”  
National Institute of Mental Health - https://www.nimh.nih.gov/

Achei compreensível e sensível alguns colegas dizendo que “Maria Eduarda não conferiu a corda, mas quantas cordas a gente não conferiu na vida?” só que a gente não pode desconsiderar que esse não é um erro aceitável. Não dá para subestimar a gravidade de alguns erros. E se a ideia é comparar, que seja de forma a chamar atenção de todos e todas, sobre os riscos que estamos correndo quando perdemos a atenção, ou quando confiamos nossa segurança a alguém que não deveria tê-la.

Então, vamos para a “empresa” e para os “funcionários” que ali estavam. Como não viram que a moça estava sem a corda? Como pode tamanha irresponsabilidade? A banalidade com que foi tratada a vida daquela menina? Há diversas hipóteses, mas nenhuma, absolutamente nenhuma, justifica a morte de Maria Eduarda.

Quanto à maturidade emocional e psíquica de adultos, tenho acompanhado pais extremamente imaturos, que diante das dificuldades dos filhos agem como se os adolescentes em questão, fossem eles próprios. Veja, não estou propondo uma sociedade com pais super-heróis e heroínas, mas estou falando sobre a necessidade que crianças e adolescentes têm, de serem instruídos por cuidadores minimamente funcionais.

A propósito, as escolas não aguentam mais a pressão que estão sofrendo de pais que não se responsabilizam pelo seu papel formador. Absurdos acontecendo tanto no total abandono dos filhos à própria sorte, ou à escola, como a recusa de compreender que educar também significa colocar limites.

Cada um de nós tem suas questões, suas dificuldades e suas forças. Mas não é admissível, que continuemos vendo crianças, adolescentes e jovens em geral, carecendo de referências básicas em casa.

E mais, tendo filhos ou não, é preciso que cuidemos do nosso desenvolvimento emocional e psíquico, para que possamos ser capazes de cuidar das nossas vidas com sabedoria.

Antes de concluir, quero fazer outro apelo: hoje em dia, nas redes sociais, algumas pessoas estão perdendo totalmente a compostura e absurdos vêm sendo ditos e praticados no mundo offline. Não pense você que isso não te diz respeito. Nós não podemos nos calar diante de tanta atrocidade, como agora, por exemplo, que alguns indivíduos estão se pronunciando em relação ao acidente com a jovem Maria Eduarda, como se ela fosse apenas um corpo bonito morto.

Obviamente, eu não estou propondo que briguemos com essas pessoas, ou que todos devem se pronunciar nas redes. Mas sim de termos em mente os ensinamentos de Luther King:

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

Por fim, retornando ao início do texto, que nós tenhamos muito cuidado, muita responsabilidade, conosco mesmos e com as outras pessoas, para que não sejamos vítimas ou algozes de outros acidentes.

Faça a sua parte.

Peça ajuda.

Ajude.

Não siga a vida no automático, normalizando o que não é aceitável e muito menos saudável.

Espero que esse texto tenha trazido reflexões importantes. Ficarei grata se puder deixar seu comentário. Obrigada por estar aqui!

Com carinho,

Cynara Bastos


sábado, 30 de maio de 2026

Quando o mistério da vida encontra o imenso na natureza humana


Hoje, durante a minha meditação, eu estava rememorando uma situação na qual me senti muito bem, serena, feliz... então eu me lembrei dessa noite expressa na imagem. E pensei: foi esse lugar, esse luar, o silêncio, aquele sentimento de paz, de conexão total com o Universo, com o Imenso, com a natureza que também sou eu.

Logo em seguida, eu compreendi por que não adianta a gente tentar voltar a algum lugar para reviver uma sensação, um sentimento.

Na verdade, foi aquele lugar que eu acessei dentro de mim, que me leva a desejar aquela noite, aquele lugar de novo. A questão é que, o que eu senti lá, acessou algo dentro de mim, que é imenso.

E essa reflexão me mostra, que depois de tanto tempo procurando compreender algumas coisas como a espiritualidade como movimento de transcendência, o autoconhecimento como uma experiência mais profunda de conexão não só com esse ser humano que sou, mas com todos os aspectos sobre-humanos que também me forjam e dão dinamismo e fluidez à minha manifestação nesse mundo, parece que afinal, eu posso realmente compreender o Self e o meu próprio processo de individuação.

Se você, leitora, leitor não estiver familiarizado com a ideia de self e individuação em Jung, explico de forma breve ao final desse artigo.

Enquanto eu fazia essa reflexão, me lembrei de vários textos de Rubem Alves quando ele falava sobre os apaixonados e suas recordações sobre a saudade de alguém no retrato, quando a pessoa em si estava presente. Sobre a impossibilidade de voltarmos ao mesmo lugar, uma vez que pessoa e lugar se transformam. Mas principalmente – e eu só posso entender isso de forma mais profunda agora: é sobre esse lugar que eu acessei lá na fazenda, nessa imagem que compartilhei, mas que não estava lá, e sim dentro de mim. Por isso, se eu voltar à fazenda e tentar reviver o momento, não será possível.

Penso que essa ideia, pode gerar tristeza ou esperança dependendo de como estamos no nosso processo de individuação e subsequente maturidade psíquica e emocional. Eu posso lhe dizer que sinto um desejo enorme de viver mais e mais intensamente, para que possa viver outras experiências tão sublimes como essa.

É certo, e eu não posso deixar de dizer e reconhecer isso, que lugares como esse: mato, céu, luar, água, a natureza em sua plenitude, são muito significativos para mim e certamente, determinam a qualidade da minha experiência. Mas a grande questão aqui é perceber, que eu posso experimentar sentimentos muito profundos e transcendentes em diversos lugares e situações, a partir do momento que eu compreendo esse mistério maior que é estar viva e em processo de amadurecimento contínuo.

A questão é estar aqui e agora com tudo o que sou e conectada com tudo o que é, para que eu seja possa estar a serviço do chamado que a vida me faz.

Bem, vou ficando por aqui, esperando que essa leitura tenha sido agradável e inspiradora para você.

Eu adoraria saber sua opinião sobre essa ideia que compartilhei aqui, ou mesmo reflexões que o artigo possa ter gerado.

Obrigada por estar aqui!

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Anexo: explicação sobre os dois termos da psicologia junguiana

Individuação é o processo de desenvolvimento psicológico pelo qual a pessoa deixa de viver apenas a partir de condicionamentos, expectativas externas, adaptações sociais e identificações do ego, aproximando-se gradualmente de sua totalidade psíquica. A ideia é se tornar-se inteira, integrando aspectos conscientes e inconscientes da personalidade: luz e sombra, razão e emoção, masculino e feminino, desejo e valor. É como um movimento contínuo de alinhamento entre quem a pessoa acredita ser e aquilo que, em um nível mais profundo, está convocada a ser.

O Self é o conceito central da psicologia analítica junguiana. Representa a totalidade da psique e o princípio organizador que orienta o desenvolvimento humano em direção à integração e à plenitude. O ego é apenas uma parte da personalidade; o Self é o todo. Jung e seus seguidores descrevem o Self como um centro regulador que se manifesta por meio de sonhos, símbolos, intuições, sincronicidades e experiências de significado profundo, conduzindo o indivíduo para uma vida mais coerente com sua natureza essencial. Importante dizer que não se trata de um ideal a ser alcançado, mas uma realidade psíquica que busca continuamente expressar-se através da pessoa.

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Feedbacks e outras conversas que continuam nos assombrando

 



Tenho ouvido uma queixa frequente que é a tendência de as pessoas dizerem

“Não concordo.”

diante de quaisquer situações, em especial, os feedbacks.

Enquanto eu pensava sobre esse tema, que também vem me assombrando em situações diversas, me ocorreu que faria sentido explorar de forma um pouco mais profunda o tema sobre as conversas sensíveis.

Por que está cada dia mais difícil conversar com as pessoas sobre temas diversos e por que a maioria está pouco ou nada preparada para receber críticas ou ter seus pontos de vista e ideias questionados?

Como uma profissional que está lidando dia a dia com todos os tipos de relacionamentos, desde a liderança às relações que se dão no seio familiar, grupos de amigos e outros – Minha percepção é a de que está faltando maturidade, autoconsciência, autocrítica, consciência social e pensamento crítico. No fim acho que esse é o combo de competências que todas as pessoas precisam ter para viver bem em sociedade.

Vejo que o “não concordo” parece que virou mecanismo de manobra de conversas sobre as quais talvez coubesse admitir ou solicitar:

Eu gostaria que você explicasse mais detalhadamente esse tema ou crítica, para que eu possa compreender melhor antes de me posicionar.

Minhas experiências anteriores com esse tema foram difíceis e por isso, estou inseguro diante da sua colocação. Você poderia me ajudar a superar essa dificuldade?

Estou inseguro diante desse tema e não tenho argumentos, então prefiro encerrar o assunto dizendo que não concordo.

Eu simplesmente não quero falar sobre isso, porque minha falta de conhecimento sobre o tema me deixou cego para quaisquer desdobramentos ou reflexões possíveis.

Eu não concordo com essa ideia porque ela me deixa vulnerável a algo que eu não estou preparado para lidar.

Como não tenho autoconsciência e autocrítica suficiente, digo que não concordo, por total falta de percepção sobre como meus comportamentos impactam o meu entorno.

Se você traz uma ideia que questiona minha visão de mundo ou minha total ignorância acerca de terminados temas, eu me defendo dizendo que não concordo.

Meu medo do que é diferente de mim, ou de tudo o que já conheci até agora me leva a dizer que não concordo porque não consigo lidar com a alteridade do outro ou de suas ideias, se elas colocam em xeque quem eu acredito que sou ou o meu valor e de minhas ideias.



Eu compreendo, é difícil perceber ou admitir essas questões. Mas talvez você decida refletir um pouco sobre elas agora. Ou propor discussões com o seu time sobre essas questões.

Estamos vivendo tempos difíceis no que diz respeito à maturidade de pessoas adultas. Elas não amadureceram e seguem reproduzindo comportamentos inadequados no trabalho, nos relacionamentos com os amigos, namorados(as) e em casa, a falta de diálogo, cuidado e letramento emocional, vai deixando tudo ainda mais difícil.

Todos sabemos que é natural que a gente traga problemas mal resolvidos do passado para todas as nossas relações. A pessoa se casa e reproduz – ou tenta, reproduzir padrões de sua família de origem. E no trabalho e em quaisquer outros relacionamentos, inconscientemente podemos projetar essas questões que são reflexos de dificuldades não superadas – baixa autoestima, medo da rejeição, desejo de aceitação, enfim, a fila é longa.

Nas conversas sobre feedback, faltam conversas profundas, detalhes – os tais fatos e dados, que ilustram o que está sendo discutido, proposto.

Aí vem o medo da rejeição, a liderança que não diz tudo o que precisava ser dito, porque não se sente preparada para ter a conversa.

O(a) liderado(a) que tem medo de que a crítica seja uma confirmação daquela sua crença antiga de que talvez não tenha mesmo tanto valor.

A liderança que recebe uma crítica, mas não sabe lidar com ela, então entra na defensiva. Sim, líderes também podem dizer “eu não concordo” diante de total falta de autoconsciência e autocrítica.

Líder ou liderado(a) que não crítica porque fulano(a) é bom e se sofrer alguma crítica, pode diminuir o desempenho, ou estremecer a relação.

A pessoa não se preparou para dar o feedback, e diante do “não concordo” do outro, fica de pernas e mãos atadas, porque não organizou os fatos e dados, até mesmo para ajudar a pessoa a se orientar no processo de mudança, caso estivesse disposta.

Aqui entra outra situação não menos importante, que é a nossa tendência a não elogiar. A gente aprendeu que se fez certo, “não fez mais do que a sua obrigação”. Assim, não faz depósitos na conta bancária emocional. Então, quando precisa conversar sobre temas sensíveis, não há uma base.

Se tem algo que me enche de alegria por fazer, é mediar ou orientar conversas de feedback, ou outras sobre temas sensíveis. Não precisa se tornar uma conversa difícil, mas é preciso construir a relação, sem pavimentar o caminho, qualquer conversa sensível se tornará um cavalo de batalha.

Mencionei antes o combo do sucesso nos relacionamentos e na vida: maturidade, autoconsciência, autocrítica, consciência social e pensamento crítico.

A maturidade emocional é a capacidade de integrar todo o seu ser e gerir quem se é, em prol do seu desenvolvimento psíquico, dos seus relacionamentos e objetivos. Na psicologia junguiana, podemos dizer que a pessoa madura emocionalmente, é aquela que está no caminho da individuação – um processo de busca por si mesmo e de uma maneira de ser que integre tudo o que se é. Então não se trata apenas de compreender e gerir emoções, mas de principalmente, integrar tudo o que se é e agir a partir disso. “Tornar-se quem se é.”  Com suas sombras e luz, aceitando tudo em nós, inclusive aquilo que tendemos a projetar nos outros.

Então, veja, é um ciclo: uma coisa vai puxando a outra é preciso curiosidade sobre si mesmo – autoconsciência, sobre os outros – consciência social, sobre o mundo – pensamento crítico. Quanto mais você for capaz de exercer a autocrítica e o pensamento crítico, maior condição terá de superar ideias e paradigmas antigos que não servem mais, bem como identificar aspectos em si mesmo, que merecem revisões e cuidado.

Invista nos seus relacionamentos, em si mesmo(a) e no seu desenvolvimento.

E claro, está tudo bem não concordar, desde que seja bem fundamentado, ou que no mínimo a pessoa esteja disposta a construir seu raciocínio para explicar por que não concorda. Em algumas situações, como vimos, bom mesmo é lançar mão das competências que nos permitem aprofundar nas conversas, até que se possa encontrar soluções para os impasses.

Minha sugestão é que possamos tomar cuidado com a tendência a evitar essas conversas que forjam relações de confiança e pavimentam o caminho para o crescimento e o alcance dos objetivos individuais e coletivos.

Espero que o texto tenha sido útil para você!

Deixe suas considerações e se fizer sentido, convide outras pessoas para ler e participar das discussões!

Obrigada por estar aqui! 

Para saber como posso apoiar você ou a sua equipe nesses desafios relacionais, faça contato!

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Gisberta, Orelha, Epstein - o que eu e você temos a ver com isso?


"Seja realista, seja corajoso, seja fiel a sua natureza e confie nos outros. Faça o bem em plena luz do dia e não se envergonhe de sua generosidade." 

Rutger Bregman


Um cãozinho brutalmente torturado por adolescentes, o caso Epstein envolvendo crimes sexuais praticados contra menores por décadas, o pai que matou os filhos e se matou em seguida, devido a uma frustração pessoal. Antes disso, uma mulher atropelada e arrastada por quase um quilômetro pelo ex-namorado. Antes ainda, outros casos horrendos como de Gisele Pelicot.

Sabe, tem horas que eu também queria “não tomar conhecimento de nada disso”, não ter notícias. Mas elas estão aí e são da minha conta e da sua também.

A propósito, outro dia, eu fiz esse comentário aqui depois de ler um post muito interessante da

Juliana Proserpio, sua provocação é tão importante! Eu venho me questionando muito sobre diversas "normalizações", que não são nada normais para mim e talvez para muita gente. Nos últimos anos, mudei diversos hábitos e inclusive você me provocou a escrever sobre isso. Farei. Porque é justamente sobre o que me deixa mais consciente, mais conectada ao que importa na minha vida. E talvez faça sentido para outras pessoas também. Acredito que coisas como o caso Epstein e outras que vêm se escancarando aos nossos olhos e corações, devem provocar reflexões e mudanças íntimas também. Afinal, a gente não passa por essas histórias (ou não deveria, penso eu) sem se indignar e se transformar, impactando na medida do possível, o nosso entorno. Obrigada!

Se você tiver curiosidade (espero que tenha), dê uma olhada no post dela:

https://www.linkedin.com/posts/julianaproserpio_estou-enojada-dizem-que-you-are-what-you-activity-7426693537632563202-PnUi?utm_source=social_share_send&utm_medium=member_desktop_web&rcm=ACoAAAT7G-8BGdcG56VdtvlhXaBxAhl3RDTLGXw

Ps: Esse não é o artigo que prometi no comentário. Ele virá em breve...

Antes de continuar, quero lembrar de outro crime gravíssimo, esse, há dez anos, também cometido por adolescentes:

“Há dez anos, Portugal despertava para a crua realidade da intolerância e do ódio contra os homossexuais. O assassinato de uma transexual no Porto chocava a sociedade. Agredida e violada sistematicamente por 14 adolescentes durante dias, seu corpo foi encontrado no fundo de um poço de 15 metros. A vítima: Gisberta Salce Junior, uma imigrante brasileira de 45 anos.”

Fonte

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160218_brasileira_lgbt_portugal_mf

 

O mal existe. E sinceramente, não acredito em um mundo perfeito, sem crimes e sem dor. Mas, há um limite aqui, que precisamos colocar e uma responsabilidade que precisamos assumir: não pactuar com a violência, com a impunidade e com a normalização dos absurdos.

Quando eu disse lá em cima, comentando o post da Juliana – que a gente não passa por essas histórias (ou não deveria, penso eu) sem se indignar e se transformar, impactando na medida do possível, o nosso entorno, estava e estou falando sobre avaliarmos continuamente e com muita maturidade, de que forma, através das nossas ações ou ( a falta delas), estamos estimulando ou sendo coniventes com situações que dificultam a ampliação da consciência, que propagam a violência – seja ela de que tipo for.

Se fizer sentido, comece por si mesma(o), reflita:

Como você tem lidado com a sua própria vida, saúde, lazer, seus interesses, compromissos cotidianos, trabalho, planos para o futuro? Você está atento(a) ao que está fazendo para si mesmo(a)?

Se a gente não começa por aí, não é possível enxergar o que está acontecendo ao redor com clareza. Se eu não vejo os absurdos que eu tolero ou pratico, contra mim mesma e os meus, não posso olhar “para fora” com clareza.

Quantas vezes eu já estive diante de pessoas e você provavelmente também, que não tinham a menor noção de que aquilo que elas criticavam, elas também faziam em maior ou menor grau.

Ou: quantas pessoas, por já terem sofrido muito, entendem que qualquer sofrimento é pouco, ou insistem que “a vida é dura mesmo” então as pessoas, a sociedade, estão sujeitas ao mal sem remédio.

Certa vez, uma ex-cliente fez o seguinte relato:

“Quando eu entrei na empresa, eu nunca tinha fumado na vida. Lá eu comecei a fumar. Só com o tempo eu percebi que o cigarro era a única atitude aceitável para parar um pouco. E a gente nunca parava – apenas para fumar. Era comum eu não estar disponível para ninguém – nem mesmo para mim, durante o tempo que trabalhei lá. E todo mundo agia de forma tão natural – o cigarro, o fumódromo, a falta de tempo para cuidar da saúde, de si, da família, das relações, que eu comecei a achar que eu estava com frescura. Porque como diziam por lá, a vida corporativa (especialmente nesse segmento) é assim mesmo.”

Eu sei, esse é um caso extremo, mas saiba que eu ouço relatos parecidos com mais frequência do que eu gostaria. Nessa altura, você também pode pensar: “Mas Cynara, como isso se conecta com os casos que você expõe aqui?”

Eu respondo: negligência, abusos, violência...

Meu convite hoje, é para que você sendo líder ou não, olhe bem, por exemplo para a sua organização e comece a questionar: como a minha empresa tem olhado para os problemas dentro da companhia e da nossa sociedade? Como eu, como líder, como colaborador, como indivíduo, tenho olhado e atuado diante de tudo isso? Fecho os olhos e finjo que não é comigo, ou me responsabilizo pela parte que me cabe?

É certo, nem eu, nem você, cometemos nenhum dos crimes que eu trago aqui. Mas, como indivíduos e como membros dessa sociedade, como temos atuado para não naturalizar e assim, perpetuar absurdos?

Confesso que as vezes eu tenho sido a “chata” que não aceita determinadas “brincadeiras”, que expressa e sustenta opiniões contrárias a maioria, que traz verdades “inconvenientes” para a mesa. E isso não é fácil. Mas vou continuar.

Vamos pensar sobre tudo aquilo que a gente naturalizou, mas que não é natural. Em casa, no trabalho, nas reuniões com amigos, enfim, em todos os lugares? 

Vamos refletir sobre as dinâmicas de poder e influência na nossa sociedade e no mundo?

Todos podemos concordar que o “Caso Epstein”, não é um crime isolado, mas um fenômeno social envolvendo abuso de poder, manipulação, falhas institucionais e um silêncio também criminoso, por parte de muitas pessoas.  

Vamos refletir sobre as emoções reprimidas e o adoecimento que advém dessa atitude?

A propósito, recentemente, realizei uma live com o Gab Piumbato, que faz parte do ciclo de conversas que chamamos de “Mapa de dores contemporâneas.” Nesta, tratamos sobre o “burnout”, discutindo especialmente sobre os “heróis” que pretendem salvar o mundo e se aniquilam nesse processo. Se você perdeu a live, não deixe de assistir.

https://www.youtube.com/live/hwunxFOitZU?si=LMrnojpPRUdfX03i

Bem, minha querida ou querido leitor(a), tem muitas coisas ruins acontecendo, mas não é só isso, não é mesmo? Ainda bem!

Para concluir, deixo boas notícias e o meu desejo que essa tenha sido uma boa leitura para você!

Que no seu processo de desenvolvimento, você tenha sempre em mente: você, os outros e o mundo são impactados cada vez que você dá um passo à frente na ampliação da sua consciência e do seu desenvolvimento como ser humano.

Obrigada por estar aqui!  

Boas notícias:

Polilaminina - Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/12/pesquisadora-que-virou-esperanca-para-vitimas-de-lesao-medular-sonha-com-ferias-de-um-ano.shtml

Araras Azuis – nasce uma esperança

https://news.mongabay.com/2024/07/for-extinct-spixs-macaw-successful-comeback-is-overshadowed-by-uncertainty/

Investimento global em transição energética atingiu recorde de 2,3 trilhões em 2025 (aumento de 8% em relação a 2024)

https://about.bnef.com/insights/clean-energy/bloombergnef-finds-global-energy-transition-investment-reached-record-2-3-trillion-in-2025-up-8-from-2024/

 Quem é Cynara Bastos?

Rosto de homem sério

Descrição gerada automaticamente

🧠 Psicóloga, mentora de líderes e docente em educação corporativa.

🧠Apoio profissionais a alcançarem um estado mental otimizado, integrando diferentes aspectos da inteligência para adquirir um nível elevado de autoconsciência, adaptabilidade e eficácia, utilizando seus recursos para evoluir para novas formas de liderança, sendo capazes de desenvolver melhores relacionamentos, explorar o ambiente de negócios identificando possibilidades e riscos, gerando ações e soluções se valendo de um novo alcance mental.

Acumulando experiências com grandes grupos educacionais como Ibmec e Insper, já atendi companhias de diversos portes e segmentos através da Panta Rei e Consultorias Parceiras, em programas de desenvolvimento de liderança como: ArcelorMittal, Magnesita, Piracanjuba, Master Drilling Brasil, Celeo Energia, Galderma, Constance, Sisprime, Syngenta, Grupo Tauá, Grupo Tenda, Localiza, Unique Garden, Eurofarma, Viemar Automotive, Rocontec, Soufflet Malt, entre outras.

Om Ganapataye Namaha


 

Aprendendo a ler os sinais que prenunciam as crises

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