sexta-feira, 3 de julho de 2026

Aprendendo a ler os sinais que prenunciam as crises


Você sabia que até o FBI, já perdeu sinais importantes, como por exemplo eventos que poderiam indicar o risco de um atentado antes do terrível “11 de setembro”?

Conta-se que havia informações importantes pulverizadas entre áreas que não se comunicavam o suficiente porque trabalhavam como ilhas e além disso, não contavam com recursos tecnológicos importantes.

“A carência de sofisticação tecnológica foi apontada como sendo talvez a principal razão de o FBI ter falhado de forma tão grave nos dias que antecederam o 11 de Setembro. “Os sistemas de informação do FBI eram completamente inadequados”, concluiu o relatório da Comissão. “O FBI não tinha a capacidade de saber o que sabia; não havia nenhum mecanismo adequado para acessar ou compartilhar o conhecimento institucional.” Jeff Sutherland

O que podemos perceber é que

Não é de repente.

Até que uma crise se revele, muitos sinais foram ignorados.

Isso serve para o 11 de setembro, para falar sobre um evento mais conhecido para todos, mas também serve para várias outras situações nas nossas vidas.

Muitos de nós, já fomos surpreendidos por acontecimentos de todo tipo, que nos deixaram aquele sentimento de “como eu não vi isso antes?” ou a impressão de que “foi de repente”.

Quer a situação caia como uma bomba, ou como uma ocorrência menos grave, a maioria das crises não acontecem de repente. Até que o problema maior se revele, muitos sinais foram ignorados. Isso pode acontecer por diversos fatores e vou contemplar alguns deles nesse texto.

O primeiro aspecto que me parece o mais comum, está associado à falta de atenção e presença genuína. Se não estivermos conscientes, vivendo com qualidade de presença, muitos sinais importantes podem passar despercebidos.

Veja o caso dos relacionamentos afetivos, falta de atenção, de escuta, de qualidade nos momentos íntimos diversos. Então, “de repente”, um dos dois decide pelo término da relação. O outro mais desatento, pode estranhar: “Mas de repente?”

Se estivesse prestando atenção, talvez tivesse percebido que o outro parou de se importar quando não estava mais falando sobre seus desconfortos e insatisfações, quando o “tudo bem” se tornou a única resposta – mesmo quando não estava tudo bem.

É certo que tem pessoas que vão empurrando a relação com a barriga para ver até onde vai, mas muitas vezes, a falta de atenção e cuidados cotidianos, podem acarretar o término de relacionamentos que poderiam ter desfechos positivos se as duas pessoas estivessem mais dispostas e atentas uma à outra.

Vamos para o trabalho.

Imagine essa situação: você sempre recebeu feedbacks da sua liderança, muitas conversas, orientações, até que os retornos diminuíram e você seguiu como se estivesse tudo bem. “De repente” vem a demissão. Você fica chateado(a), e se pergunta, “mas como assim?”

Acontece que os sinais estavam ali, mas você não percebeu.

É claro que há situações e situações, nesse caso, estou falando sobre a pessoa que insistiu em comportamentos indesejáveis sobre os quais recebeu feedbacks diversos, até que a outra parte entendeu que ela não estava a fim mesmo e decidiu por encerrar a relação de trabalho.

Vamos para outra situação hipotética: você percebe que seu time está cada vez mais apático, silencioso e não te procura para nada. Mas você toma como verdade que são pouco comprometidos, ou que “é assim mesmo, as pessoas tendem a ter esse comportamento indiferente mesmo.”

Só que nos bastidores, as pessoas estão decepcionadas, guardam suas boas ideias porque sentem que você não se importa, perderam o desejo de contribuir e colaborar porque a sua liderança gera “desamparo aprendido”.

Na prática, os sinais se mostraram quando você agiu com cinismo em relação às queixas e necessidades da equipe, ou quando você ignorou reivindicações legítimas, sem sequer dar retorno para as pessoas, quando você deixou de parabenizar o time pelas conquistas e de investir em ações possíveis e desejáveis para o fortalecimentos das relações.

Outro exemplo: seus clientes começaram a dar sinais de que não estavam satisfeitos... consumidores que estavam sempre presentes, foram se distanciando, você, focado nas novas vendas, nos novos clientes que apareciam e aumentavam o volume de vendas, achou que aqueles sinais não eram importantes. Mais à frente você percebeu que não estava mais conseguindo fidelizar os novos clientes como antes... então decidiu voltar aos antigos, mas a crise já está instaurada.

Agora, abordando as questões de saúde: suponhamos que você esteja com grande demanda de trabalho. E pensa: “ah, é assim mesmo”. Só que você piscou e se passaram três anos. A demanda não diminuiu. O que caiu foi sua disposição para outras tarefas. Caiu seu interesse por coisas que você gostava e nenhum novo interesse surgiu. Os finais de semana, quando estão livres, são para dormir e descansar o corpo e a mente fatigados. Mas o descanso também não está mais acontecendo como antes. Você acorda com sono, chega segunda-feira para trabalhar cansado. Mas pensa: “é assim mesmo.” Todo mundo está vivendo isso hoje em dia.

Então seu humor começa a se modificar e soma-se a isso, uma gripe insistente, da qual você não está conseguindo se recuperar como antes.

Vem uma crise – uma ansiedade generalizada, uma coluna travada, ou outros eventos mais graves em saúde mental.

Perceba: nosso corpo dá sinais de estresse, que se não estivermos atentos, se agravam e assim, desencadeia-se uma crise que poderia ter sido evitada se a nossa capacidade de conexão com a gente mesmo, estivesse preservada.    

Na neurociência afetiva, essa capacidade é chamada de interocepção e se refere à nossa aptidão para identificar e rastrear nossos sinais corporais internos.

Antônio Damásio nomeia a Homeostase interoceptiva que garante que a vida seja regulada dentro de um intervalo que não apenas seja compatível com a sobrevivência, mas também propício para o desabrochar, para a proteção da vida até o futuro de um organismo ou uma espécie.

Bem, até aqui acho que eu já dei fartos exemplos sobre sinais que ignoramos e depois nos cobram altos preços.

Quero concluir, destacando a relevância da nossa consciência, da presença e da atitude crítica diante das diversas situações que experimentamos na vida.

Nossos cérebros têm seus automatismos e vieses, algumas vezes uteis, noutras perigosos. Nesse sentido, a autoconsciência, a consciência social, a leitura de contexto e a nossa capacidade de foco e atenção, devem ser valorizadas e desenvolvidas.

Como vimos, na maioria das vezes, diversos sinais surgem antes de uma crise. E a nossa capacidade para superá-la, ou até onde vamos afundar nela, depende de como lidamos com esses sinais.

Por distração, ou as vezes por não darmos mesmo importância a determinadas questões, podemos perder a oportunidade de evitar algumas crises ou mesmo, de termos melhores condições para enfrentar os problemas.

Então é bom tomar cuidado não só com o que a gente não vê por não estar fazendo uma boa leitura do cenário, como aquelas outras, em que faz vista grossa para situações que parecem desimportantes.

Para aprimorar sua habilidade de percepção dos sinais, considere:

.   Administrar a si mesmo: emoções, relações, tempo.

.   Cuidado com seu “estilo preferido” (na liderança e/ou nas relações em geral). O “sempre foi assim”, não acontece apenas nas empresas.

.   Cuide da sua saúde: durma bem, coma bem e preze por relações agregadoras e ganha-ganha.

.   Procure viver momentos de relaxamento e contato com a natureza.

.   Conheça novas pessoas e mantenha sua mente aberta para novas ideias.   

.   Respire conscientemente.

Bem, vou encerrando por aqui! Espero que tenha gostado do texto! Agradeço por estar por aqui e fico aguardando suas considerações...

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Aprendendo a ler os sinais que prenunciam as crises

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