domingo, 15 de fevereiro de 2026

Gisberta, Orelha, Epstein - o que eu e você temos a ver com isso?


"Seja realista, seja corajoso, seja fiel a sua natureza e confie nos outros. Faça o bem em plena luz do dia e não se envergonhe de sua generosidade." 

Rutger Bregman


Um cãozinho brutalmente torturado por adolescentes, o caso Epstein envolvendo crimes sexuais praticados contra menores por décadas, o pai que matou os filhos e se matou em seguida, devido a uma frustração pessoal. Antes disso, uma mulher atropelada e arrastada por quase um quilômetro pelo ex-namorado. Antes ainda, outros casos horrendos como de Gisele Pelicot.

Sabe, tem horas que eu também queria “não tomar conhecimento de nada disso”, não ter notícias. Mas elas estão aí e são da minha conta e da sua também.

A propósito, outro dia, eu fiz esse comentário aqui depois de ler um post muito interessante da

Juliana Proserpio, sua provocação é tão importante! Eu venho me questionando muito sobre diversas "normalizações", que não são nada normais para mim e talvez para muita gente. Nos últimos anos, mudei diversos hábitos e inclusive você me provocou a escrever sobre isso. Farei. Porque é justamente sobre o que me deixa mais consciente, mais conectada ao que importa na minha vida. E talvez faça sentido para outras pessoas também. Acredito que coisas como o caso Epstein e outras que vêm se escancarando aos nossos olhos e corações, devem provocar reflexões e mudanças íntimas também. Afinal, a gente não passa por essas histórias (ou não deveria, penso eu) sem se indignar e se transformar, impactando na medida do possível, o nosso entorno. Obrigada!

Se você tiver curiosidade (espero que tenha), dê uma olhada no post dela:

https://www.linkedin.com/posts/julianaproserpio_estou-enojada-dizem-que-you-are-what-you-activity-7426693537632563202-PnUi?utm_source=social_share_send&utm_medium=member_desktop_web&rcm=ACoAAAT7G-8BGdcG56VdtvlhXaBxAhl3RDTLGXw

Ps: Esse não é o artigo que prometi no comentário. Ele virá em breve...

Antes de continuar, quero lembrar de outro crime gravíssimo, esse, há dez anos, também cometido por adolescentes:

“Há dez anos, Portugal despertava para a crua realidade da intolerância e do ódio contra os homossexuais. O assassinato de uma transexual no Porto chocava a sociedade. Agredida e violada sistematicamente por 14 adolescentes durante dias, seu corpo foi encontrado no fundo de um poço de 15 metros. A vítima: Gisberta Salce Junior, uma imigrante brasileira de 45 anos.”

Fonte

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160218_brasileira_lgbt_portugal_mf

 

O mal existe. E sinceramente, não acredito em um mundo perfeito, sem crimes e sem dor. Mas, há um limite aqui, que precisamos colocar e uma responsabilidade que precisamos assumir: não pactuar com a violência, com a impunidade e com a normalização dos absurdos.

Quando eu disse lá em cima, comentando o post da Juliana – que a gente não passa por essas histórias (ou não deveria, penso eu) sem se indignar e se transformar, impactando na medida do possível, o nosso entorno, estava e estou falando sobre avaliarmos continuamente e com muita maturidade, de que forma, através das nossas ações ou ( a falta delas), estamos estimulando ou sendo coniventes com situações que dificultam a ampliação da consciência, que propagam a violência – seja ela de que tipo for.

Se fizer sentido, comece por si mesma(o), reflita:

Como você tem lidado com a sua própria vida, saúde, lazer, seus interesses, compromissos cotidianos, trabalho, planos para o futuro? Você está atento(a) ao que está fazendo para si mesmo(a)?

Se a gente não começa por aí, não é possível enxergar o que está acontecendo ao redor com clareza. Se eu não vejo os absurdos que eu tolero ou pratico, contra mim mesma e os meus, não posso olhar “para fora” com clareza.

Quantas vezes eu já estive diante de pessoas e você provavelmente também, que não tinham a menor noção de que aquilo que elas criticavam, elas também faziam em maior ou menor grau.

Ou: quantas pessoas, por já terem sofrido muito, entendem que qualquer sofrimento é pouco, ou insistem que “a vida é dura mesmo” então as pessoas, a sociedade, estão sujeitas ao mal sem remédio.

Certa vez, uma ex-cliente fez o seguinte relato:

“Quando eu entrei na empresa, eu nunca tinha fumado na vida. Lá eu comecei a fumar. Só com o tempo eu percebi que o cigarro era a única atitude aceitável para parar um pouco. E a gente nunca parava – apenas para fumar. Era comum eu não estar disponível para ninguém – nem mesmo para mim, durante o tempo que trabalhei lá. E todo mundo agia de forma tão natural – o cigarro, o fumódromo, a falta de tempo para cuidar da saúde, de si, da família, das relações, que eu comecei a achar que eu estava com frescura. Porque como diziam por lá, a vida corporativa (especialmente nesse segmento) é assim mesmo.”

Eu sei, esse é um caso extremo, mas saiba que eu ouço relatos parecidos com mais frequência do que eu gostaria. Nessa altura, você também pode pensar: “Mas Cynara, como isso se conecta com os casos que você expõe aqui?”

Eu respondo: negligência, abusos, violência...

Meu convite hoje, é para que você sendo líder ou não, olhe bem, por exemplo para a sua organização e comece a questionar: como a minha empresa tem olhado para os problemas dentro da companhia e da nossa sociedade? Como eu, como líder, como colaborador, como indivíduo, tenho olhado e atuado diante de tudo isso? Fecho os olhos e finjo que não é comigo, ou me responsabilizo pela parte que me cabe?

É certo, nem eu, nem você, cometemos nenhum dos crimes que eu trago aqui. Mas, como indivíduos e como membros dessa sociedade, como temos atuado para não naturalizar e assim, perpetuar absurdos?

Confesso que as vezes eu tenho sido a “chata” que não aceita determinadas “brincadeiras”, que expressa e sustenta opiniões contrárias a maioria, que traz verdades “inconvenientes” para a mesa. E isso não é fácil. Mas vou continuar.

Vamos pensar sobre tudo aquilo que a gente naturalizou, mas que não é natural. Em casa, no trabalho, nas reuniões com amigos, enfim, em todos os lugares? 

Vamos refletir sobre as dinâmicas de poder e influência na nossa sociedade e no mundo?

Todos podemos concordar que o “Caso Epstein”, não é um crime isolado, mas um fenômeno social envolvendo abuso de poder, manipulação, falhas institucionais e um silêncio também criminoso, por parte de muitas pessoas.  

Vamos refletir sobre as emoções reprimidas e o adoecimento que advém dessa atitude?

A propósito, recentemente, realizei uma live com o Gab Piumbato, que faz parte do ciclo de conversas que chamamos de “Mapa de dores contemporâneas.” Nesta, tratamos sobre o “burnout”, discutindo especialmente sobre os “heróis” que pretendem salvar o mundo e se aniquilam nesse processo. Se você perdeu a live, não deixe de assistir.

https://www.youtube.com/live/hwunxFOitZU?si=LMrnojpPRUdfX03i

Bem, minha querida ou querido leitor(a), tem muitas coisas ruins acontecendo, mas não é só isso, não é mesmo? Ainda bem!

Para concluir, deixo boas notícias e o meu desejo que essa tenha sido uma boa leitura para você!

Que no seu processo de desenvolvimento, você tenha sempre em mente: você, os outros e o mundo são impactados cada vez que você dá um passo à frente na ampliação da sua consciência e do seu desenvolvimento como ser humano.

Obrigada por estar aqui!  

Boas notícias:

Polilaminina - Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/12/pesquisadora-que-virou-esperanca-para-vitimas-de-lesao-medular-sonha-com-ferias-de-um-ano.shtml

Araras Azuis – nasce uma esperança

https://news.mongabay.com/2024/07/for-extinct-spixs-macaw-successful-comeback-is-overshadowed-by-uncertainty/

Investimento global em transição energética atingiu recorde de 2,3 trilhões em 2025 (aumento de 8% em relação a 2024)

https://about.bnef.com/insights/clean-energy/bloombergnef-finds-global-energy-transition-investment-reached-record-2-3-trillion-in-2025-up-8-from-2024/

 Quem é Cynara Bastos?

Rosto de homem sério

Descrição gerada automaticamente

🧠 Psicóloga, mentora de líderes e docente em educação corporativa.

🧠Apoio profissionais a alcançarem um estado mental otimizado, integrando diferentes aspectos da inteligência para adquirir um nível elevado de autoconsciência, adaptabilidade e eficácia, utilizando seus recursos para evoluir para novas formas de liderança, sendo capazes de desenvolver melhores relacionamentos, explorar o ambiente de negócios identificando possibilidades e riscos, gerando ações e soluções se valendo de um novo alcance mental.

Acumulando experiências com grandes grupos educacionais como Ibmec e Insper, já atendi companhias de diversos portes e segmentos através da Panta Rei e Consultorias Parceiras, em programas de desenvolvimento de liderança como: ArcelorMittal, Magnesita, Piracanjuba, Master Drilling Brasil, Celeo Energia, Galderma, Constance, Sisprime, Syngenta, Grupo Tauá, Grupo Tenda, Localiza, Unique Garden, Eurofarma, Viemar Automotive, Rocontec, Soufflet Malt, entre outras.

Om Ganapataye Namaha


 

domingo, 13 de abril de 2025

Cicatrizes e Kintsugi: Como aprender com as dores sem se identificar com elas

 

Esses dias relendo meus escritos não publicados, refleti sobre a importância das cicatrizes, mas também sobre outro fato igualmente importante que é o cuidado para não nos apegarmos a elas. Nesse artigo, quero conversar um pouco com vocês sobre isso.

Comecemos pelos relacionamentos:

As pessoas podem se aproximar de nós por diversos motivos, nem sempre nobres. E a perspicácia que a gente adquire com o tempo é o que pode nos proteger das  ciladas. Algumas pessoas já se aproximaram de mim porque me achavam influente e poderiam se beneficiar disso, outras, porque entendiam que podíamos fazer boas parcerias, houve também aquelas que queriam estabelecer trocas de todo tipo, que foram na maioria das vezes muito ricas.

Perceba: não há mal algum em nos aproximarmos de alguém que nos parece influente. A grande questão é não nos relacionarmos com os outros apenas querendo tomar deles. Porque nenhuma relação se sustenta dessa forma.

Cada uma das pessoas com as quais me relacionei até hoje contribuiu de alguma forma. Aprendi com as que não acreditam que tem algo a dar, ou não querem. Aprendi com quem deu e também, com quem se excedeu na doação. O equilíbrio entre o dar e receber, é algo que até hoje me exige cuidado. Porque na minha construção como sujeito, eu acabei jogando muitas “pérolas aos porcos”.  Me relacionando com pessoas e grupos que tomaram mais do que estavam dispostas a dar.

Alguns relacionamentos deixaram cicatrizes, outros marcaram minha jornada de forma bonita e engrandecedora. Com as cicatrizes ou com as belas marcas, repito: todas contribuíram de alguma forma. Gosto de pensar na técnica do Kintsugi quando menciono as cicatrizes. Dependendo da nossa maturidade na maneira de lidar com decepções, mágoas ou traições, o que fica é essa “marca dourada” que diz doeu, mas foi curado. E depois dela, eu me fortaleci.

Sobre o Kintsugi

A técnica surgiu no século XV quando o xogum (mais alto título militar concedido pelo Imperador, com grande poder político) Ashikaga Yoshimasa enviou à China uma cerâmica de cerimônia do chá para restauro. Quando ela retornou, o xogum não apreciou a técnica chinesa com grampos metálicos e pediu a artesãos japoneses que desenvolvessem outra maneira de restaurá-la. Ao invés de tentar disfarçar as falhas da peça quebrada, os artesãos usaram urushi (laca japonesa) com ouro para colar os pedaços e tornar evidentes as partes que haviam sido emendadas (...) A técnica Kintsugi também possui caráter filosófico e se aproxima muito do elemento Wabi Sabi, por valorizar as imperfeições e aceitar o desgaste das coisas com o passar do tempo. Ao invés de esconder as cicatrizes da peça, elas são valorizadas e expostas, revelando uma nova beleza e tornando a peça única. (Japan House SP)

Sobre as cicatrizes na pele e na alma

Há cicatrizes na pele e na alma. Eu tenho algumas no corpo. Meu joelho esquerdo, por exemplo, tem marcas da infância e também da vida adulta, certa vez, quando criança, bati o joelho em uma quina de uma escada de ferro, andando de patins e ficou um pequeno pedaço do meu joelho lá. 😊 Já cai de bike, cai correndo na rua...

Amigas e amigos contemporâneos dizem que quem não tem cicatrizes, não teve infância. É um exagero, claro, mas concordo que a “infância raiz” tem dessas coisas!

A propósito, me lembro também quando um marimbondo cavalo me picou e embora eu não seja alérgica, tenho a marca até hoje! Mas, o que eu lembro disso, era como eu gostava de ir para o sítio do meu tio e brincar com meus irmãos e meus primos por lá. A título de curiosidade, eu também já fui picada por um escorpião, mas nesse caso, eu já era adulta. Colecionadora de picadas hahaha...

Bem, posso dizer então que guardo cicatrizes e marcas no corpo, no coração e na alma. Cada uma delas me ensinou muito. Essas e outras histórias marcaram a minha existência e forjaram a pessoa que eu sou. Creio que cicatrizes servem para nos mostrar, que estamos vivas(os) e que é preciso muita coragem para crescer e amadurecer.

Todavia, é importante que a gente não se identifique com as cicatrizes.

Pois, é: as vezes – sem perceber, a gente pode se identificar com a dor. Nesse caso, é comum achar que se algo está dando muito certo, é bom se precaver porque uma hora vai dar errado. Ou, se algo parece fácil, não tem valor; desconfiar quando as coisas estão indo muito bem e questionar o seu merecimento. Ou mesmo não perceber quando é hora de baixar as armas, porque a guerra acabou.

Outra perspectiva pode ser a de ter sofrido muito com alguns relacionamentos e se tornar descrente das relações, como se nenhum ser humano merecesse sua confiança, cuidado, dedicação e amor.

Voltando ao Kintsugi, quero terminar esse artigo com um pouco de poesia: Podemos escolher o que fazer com as rachaduras da vida. Preenchê-las com ouro e transformá-las, criando um ser humano forte, maduro e iluminado por suas marcas de coragem de viver. Ou deixar os cacos soltos e viver de forma fragmentada, sempre catando os caquinhos das “pedradas ao acaso”.

Termino – agora sim, com um vídeo no qual falo sobre os vitrais...

https://www.instagram.com/reel/C1wgF7xueHG/?igsh=eXg5Y2xlb2R4cmE0

 As cicatrizes na pele, no coração e na alma são a prova de que estamos vivos. símbolos de força, coragem, superação, aprendizado e maturidade.

Como está o seu vitral?

Aguardo seu comentário! Obrigada por estar aqui! 

A imagem que ilustra esse artigo é do Canva e representa uma obra desse artista que vale muito conhecer! https://www.billiebondart.com

Quem é Cynara Bastos?

Rosto de homem sério

Descrição gerada automaticamente

🧠 Psicóloga, mentora de líderes e docente em educação corporativa.

🧠Apoio profissionais a alcançarem um estado mental otimizado, integrando diferentes aspectos da inteligência para adquirir um nível elevado de autoconsciência, adaptabilidade e eficácia, utilizando seus recursos para evoluir para novas formas de liderança, sendo capazes de desenvolver melhores relacionamentos, explorar o ambiente de negócios identificando possibilidades e riscos, gerando ações e soluções se valendo de um novo alcance mental.

Acumulando experiências com grandes grupos educacionais como Ibmec e Insper, já atendi companhias de diversos portes e segmentos através da Panta Rei e Consultorias Parceiras, em programas de desenvolvimento de liderança como: ArcelorMittal, Magnesita, Piracanjuba, Master Drilling Brasil, Celeo Energia, Chilli Beans, Galderma, Constance, Sisprime, Syngenta, Grupo Tauá, Grupo Tenda, Localiza, entre outras.

 

गृहपतये नमः

Om Grhapataye Namah


 


Gisberta, Orelha, Epstein - o que eu e você temos a ver com isso?

"Seja realista, seja corajoso, seja fiel a sua natureza e confie nos outros. Faça o bem em plena luz do dia e não se envergonhe de sua ...