sábado, 18 de julho de 2026

Proteção contra o Burnout | Regulação Emocional e Autoconsciência

 


Vimos recebendo informações alarmantes sobre a saúde emocional e social no Brasil e no mundo. E dado o alto índice de adoecimento, é provável que muitas pessoas que acompanham a newsletter Liderança & Desenvolvimento estejam passando por alguma dificuldade nesse sentido.

Nesse artigo, proponho algumas reflexões acerca do tema e estratégias relativamente simples para ajudar a você e todos nós que estamos sujeitos aos impactos de viver em ambientes marcados por grande complexidade caracterizada pela dinâmica das transformações mundiais, dos negócios, das relações, de uma cobrança cada vez maior por performance e resultado, mesmo que isso signifique o esgotamento dos indivíduos.

Para começar, apresento a ideia de Cal Newport em seu livro “Produtividade Lenta”. O autor destaca o fato de que o nosso tempo é focado em demonstrar uma ocupação constante, mas não necessariamente fazendo o que realmente importa.

“Se precisarmos ser mais produtivos, chegue mais cedo, saia mais tarde. Usaremos a atividade como nosso melhor indicador de que você provavelmente está fazendo algo útil.”

É forte a tendência de tentar controlar a produtividade das equipes e das pessoas individualmente, mas o que acontece é que os meios que as empresas utilizam para tal fim, são ineficientes, ineficazes e desgastantes.

De acordo com Newport, a solução para esse problema é a “produtividade lenta”, uma forma de medir o esforço útil que é muito mais focada na qualidade do que produzimos ao longo do tempo, do que na nossa atividade visível no momento. Para isso ele se baseia em três princípios principais:

Princípio 1 | Fazer menos coisas

Essa ideia assusta muitas pessoas quando a ouvem pela primeira vez, porque elas interpretam "fazer menos coisas" como "realizar menos coisas". Mas a ideia é fazer menos coisas simultaneamente.



“Essa situação provoca uma redução autoinfligida da capacidade cognitiva, então você acaba produzindo um trabalho de qualidade inferior. Pior ainda: é um estado psicológico exaustivo e frustrante, de modo que a própria experiência de trabalho se torna subjetivamente muito negativa.”

Então, a dica é trabalhar em menos coisas de cada vez. Dedicar uma parte maior do seu dia a tentar concluir compromissos, o que significa que vai concluí-los mais rapidamente. E, provavelmente, a qualidade também será maior, porque você se dedicará a cada tarefa de forma mais qualificada.

Princípio 2 | Trabalhar em um ritmo natural

Newport relembra que:

“Uma das características marcantes da atividade econômica humana ao longo das últimas centenas de milhares de anos é que as estações realmente importam. Havia estações de migração, quando caçávamos. Havia estações de plantio. Nós plantávamos; havia estações de colheita, quando colhíamos; e estações em que nenhuma dessas atividades ocorria. Tínhamos muita variedade ao longo do ano em termos da intensidade do nosso trabalho.”

Ele defende então, que no trabalho intelectual, se certas épocas do ano forem mais intensas do que outras, isso nos levará a resultados gerais melhores e mais sustentáveis. Portanto, a ideia de trabalhar em um “ritmo natural” diz que não há problema em não trabalhar no limite máximo cinquenta semanas por ano, cinco dias por semana. Podemos ter dias agitados e dias menos agitados. Podemos ter períodos de muito trabalho e períodos mais tranquilos.

Princípio 3 | Ser obcecado pela qualidade

Aqui, Newport propõe que devemos identificar as atividades que geram mais valor, e realmente nos empenhar em melhorar nelas. Qualquer busca por essa obsessão pela qualidade precisa começar com uma investigação bem detalhada, do nosso próprio trabalho. Então, depois de descobrir isso, passarmos a dedicar a essa atividade o máximo de atenção possível.

Nota importante aos perfeccionistas: não é sobre isso, ok? O perfeccionismo é pernicioso para as nossas vidas e relações.

Outro conceito que gostaria de compartilhar com vocês, é o de produtividade tóxica, apresentado pela neurocientista e autora de "Tiny Experiments: How to Live Freely in a Goal-Obsessed World",  Anne-Laure Le Cunff,

A “produtividade tóxica”, retrata a nossa realidade. Estamos o tempo todo nos comparando com os outros e buscando subir mais um degrau, elaborar mais um plano, mais uma estratégia, para ter sucesso. Mas raramente, paramos para pensar sobre quão benéficas ou maléficas têm sidos as nossas estratégias e ações e mais, se fazem realmente sentido.

A propósito, nesse ensaio eu explorei um pouco essa ideia:

 https://www.linkedin.com/posts/cynarabastosdho_longe-ou-perto-subimos-descemos-mais-um-activity-7476228100289318913-Nelq?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAT7G-8BGdcG56VdtvlhXaBxAhl3RDTLGXw

“Isso gera uma produtividade tóxica, na qual nos sobrecarregamos apenas para tentar subir esses degraus o mais rápido possível. Temos a sensação de que, se alcançarmos o sucesso, seremos felizes. Por isso, tentamos criar sistemas, seguir rotinas à risca e cumprir listas intermináveis ​​de tarefas, muitas vezes negligenciando nossa saúde mental nesse processo.”

Então Le Cunff sugere que tenhamos curiosidade sobre as nossas jornadas, experimentemos coisas novas e que aos poucos, possamos definir o que importa verdadeiramente, direcionando nossas vidas a partir disso e não do que significa sucesso para os outros.

Nessa perspectiva da “produtividade tóxica”, é também importante compreendermos que embora o mundo esteja mudando rapidamente, nossos cérebros ainda são os mesmos de milhares de anos atrás. E na tentativa de acumular o máximo de informações para entender esse mundo mutante, muitos de nós vivenciamos uma sobrecarga cognitiva.  

“Há muito mais em que pensar no dia a dia, mas nossos cérebros não evoluíram; continuam sendo os mesmos de milhares de anos atrás. Isso gera ansiedade, pois vivemos nos perguntando: Como estou me saindo? Estou melhorando? Estou sendo rápido o suficiente? Estou sendo produtivo o suficiente? Estou sendo ambicioso o suficiente?"

Aqui, a sugestão é: adote uma abordagem minimalista. Em vez de buscar algo grandioso, você opta por aquilo que tem mais chances de lhe proporcionar descoberta, diversão e prazer – algo baseado na sua curiosidade, e não em uma definição externa de sucesso.

É preciso que tenhamos muito cuidado com o que a autora denomina “modelo linear de sucesso” que se baseia em um resultado fixo que tentamos alcançar.

“Ele pressupõe que primeiro você faz A, depois B, depois C, e então alcançará o sucesso. Há muitos problemas com um modelo linear de sucesso. Um deles é que ele parte do princípio de que você sabe para onde está indo, o que nem sempre é o caso. Outro problema é a suposição de que o lugar aonde você quer ir agora é o mesmo aonde vai querer ir daqui a alguns anos.”

À medida que o mundo muda, nós também mudamos. Ainda bem!

Então, devemos nos permitir mudar a direção das nossas ambições ao longo das nossas jornadas. E nesse percurso, é fundamental desligar o piloto automático, para que possamos tomar boas decisões diante dessas mudanças de rotas, desejos ou interesses.

Eu mesma tenho diversas experiências nesse sentido. Já contei para vocês que a Cynara que eu era em 2011 dizia que nunca moraria em SP. Já a pessoa que me tornei em 2019, decidiu se mudar para São Paulo.

Agora, vamos caminhando para a conclusão!

Temos estímulos e cobranças diversos em alto volume, sugestões e indicações de todo tipo sobre ter sucesso, como viver bem, como ficar rico. E o que pode nos proteger de cair em ciladas de qualquer tipo é saber quem somos, como estamos nos sentindo e para aonde estamos indo. Nessa jornada, desenvolver maturidade e pensamento crítico para avaliar cada situação e escolha.

1.      Exercer a autoconsciência reservando algum tempo no dia a dia, mesmo que seja pouco, para refletir sobre a vida, sobre como se sente, sobre o que precisa, o que gosta, o que precisa aceitar, o que precisa modificar, enfim, a questão é não se negligencie, não tome como verdade que “a vida é assim mesmo” e que por isso, você tem que viver uma vida mais ou menos.

2.      Se você é empregado de uma empresa hoje e não sente que tem qualquer perspectiva de mudança de uma situação de cobranças extremas, absurdas, ou falta de autonomia para propor novas formas de pensar e realizar o trabalho, comece a procurar uma nova oportunidade.

3.      Regulação emocional: fechar os olhos por alguns minutos, respirar melhor – lembrar que você está respirando!  Avaliar a qualidade da sua respiração. Experimentar o que a Anne chama de “Rotulagem afetiva”.

 



Só é possível aprendermos a lidar com as nossas emoções se olharmos cuidadosamente para elas, se pudermos nomeá-las e entendermos os sentimentos que elas provocam em nós.

Por último, caso você não tenha visto, assista esse vídeo:

https://www.linkedin.com/posts/cynarabastosdho_reflex%C3%A3o-de-domingo-cad%C3%AA-o-controle-ugcPost-7482114068582150144-I9bS/?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAT7G-8BGdcG56VdtvlhXaBxAhl3RDTLGXw

O esgotamento acontece quando não prestamos atenção aos nossos limites, quando achamos que estamos no controle, quando na verdade já estamos à deriva. Cuide de si, do seu sono, da sua alimentação, do seu corpo, mente e das suas relações.

Bem, vou encerrando por aqui! Espero que tenha gostado do texto! Agradeço por estar por aqui e fico aguardando suas considerações...

Se precisar de apoio na sua gestão emocional individual, ou no fortalecimento da saúde emocional do seu time, faça contato! Terei prazer em desenhar um programa alinhado às suas demandas e expectativas.

Cynara Bastos | Psicóloga, mentora de líderes e facilitadora de aprendizagem corporativa. Conheça minha história e serviços e saiba como posso apoiar o seu desenvolvimento: www.cynarabastos.com.br


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