Hoje, durante a minha meditação,
eu estava rememorando uma situação na qual me senti muito bem, serena,
feliz... então eu me lembrei dessa noite expressa na imagem. E pensei: foi esse
lugar, esse luar, o silêncio, aquele sentimento de paz, de conexão total com o Universo,
com o Imenso, com a natureza que também sou eu.
Logo em seguida, eu compreendi por
que não adianta a gente tentar voltar a algum lugar para reviver uma sensação,
um sentimento.
Na verdade, foi aquele lugar que
eu acessei dentro de mim, que me leva a desejar aquela noite, aquele lugar de novo.
A questão é que, o que eu senti lá, acessou algo dentro de mim, que é imenso.
E essa reflexão me mostra, que
depois de tanto tempo procurando compreender algumas coisas como a espiritualidade
como movimento de transcendência, o autoconhecimento como uma experiência mais
profunda de conexão não só com esse ser humano que sou, mas com todos os
aspectos sobre-humanos que também me forjam e dão dinamismo e fluidez à minha
manifestação nesse mundo, parece que afinal, eu posso realmente compreender o Self
e o meu próprio processo de individuação.
Se você, leitora, leitor não
estiver familiarizado com a ideia de self e individuação em Jung, explico de forma
breve ao final desse artigo.
Enquanto eu fazia essa reflexão,
me lembrei de vários textos de Rubem Alves quando ele falava sobre os apaixonados
e suas recordações sobre a saudade de alguém no retrato, quando a pessoa em si
estava presente. Sobre a impossibilidade de voltarmos ao mesmo lugar, uma vez
que pessoa e lugar se transformam. Mas principalmente – e eu só posso entender
isso de forma mais profunda agora: é sobre esse lugar que eu acessei lá na
fazenda, nessa imagem que compartilhei, mas que não estava lá, e sim dentro de mim.
Por isso, se eu voltar à fazenda e tentar reviver o momento, não será possível.
Penso que essa ideia, pode gerar
tristeza ou esperança dependendo de como estamos no nosso processo de individuação
e subsequente maturidade psíquica e emocional. Eu posso lhe dizer que sinto um
desejo enorme de viver mais e mais intensamente, para que possa viver outras experiências
tão sublimes como essa.
É certo, e eu não posso deixar de
dizer e reconhecer isso, que lugares como esse: mato, céu, luar, água, a
natureza em sua plenitude, são muito significativos para mim e certamente, determinam
a qualidade da minha experiência. Mas a grande questão aqui é perceber, que eu
posso experimentar sentimentos muito profundos e transcendentes em diversos
lugares e situações, a partir do momento que eu compreendo esse mistério maior
que é estar viva e em processo de amadurecimento contínuo.
A questão é estar aqui e agora
com tudo o que sou e conectada com tudo o que é, para que eu seja possa estar a
serviço do chamado que a vida me faz.
Bem, vou ficando por aqui,
esperando que essa leitura tenha sido agradável e inspiradora para você.
Eu adoraria saber sua opinião
sobre essa ideia que compartilhei aqui, ou mesmo reflexões que o artigo possa
ter gerado.
Obrigada por estar aqui!
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Anexo: explicação sobre os dois
termos da psicologia junguiana
Individuação é o
processo de desenvolvimento psicológico pelo qual a pessoa deixa de viver
apenas a partir de condicionamentos, expectativas externas, adaptações sociais
e identificações do ego, aproximando-se gradualmente de sua totalidade
psíquica. A ideia é se tornar-se inteira, integrando aspectos conscientes e
inconscientes da personalidade: luz e sombra, razão e emoção, masculino e
feminino, desejo e valor. É como um movimento contínuo de alinhamento entre
quem a pessoa acredita ser e aquilo que, em um nível mais profundo, está convocada
a ser.
O Self é o conceito
central da psicologia analítica junguiana. Representa a totalidade da psique e
o princípio organizador que orienta o desenvolvimento humano em direção à
integração e à plenitude. O ego é apenas uma parte da personalidade; o Self é o
todo. Jung e seus seguidores descrevem o Self como um centro regulador que se
manifesta por meio de sonhos, símbolos, intuições, sincronicidades e
experiências de significado profundo, conduzindo o indivíduo para uma vida mais
coerente com sua natureza essencial. Importante dizer que não se trata de um
ideal a ser alcançado, mas uma realidade psíquica que busca continuamente
expressar-se através da pessoa.

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