domingo, 6 de setembro de 2026

Consciência e Liderança: qual a relação?

“A consciência acontece através do nosso corpo. O que somos capazes de sentir e que somos capazes de perceber com os nossos sentidos e elaborar a partir da nossa inteligência. A ideia de isolamento e individualismo radical só existe na nossa cabeça.” 
Consciência³ - Aquarius

“Cegueira do CEO” foi o nome que Daniel Goleman deu ao executivo que não tem a menor noção sobre como seu comportamento ressoa na organização. Ela não atinge apenas CEOS, obviamente. E começo esse artigo justamente propondo uma reflexão sobre esse tema.

Você consegue perceber quais são os impactos que o seu jeito de ser, se relacionar, decidir etc. se reflete no seu entorno? Para que uma pessoa seja consciente, ela precisa ter autopercepção, autoconsciência – a capacidade de perceber como as suas emoções impactam seus sentimentos e motivações para agir. Significa saber como o seu jeito de ser impacta na sua forma de lidar consigo mesma, com seus relacionamentos, em especial o de liderança?

Primeiro passo para a consciência: autoconhecimento, autoconsciência.

Já estive diante de líderes que afirmavam que suas equipes já sabiam que “eles(as) são assim”. O que queria dizer na verdade que o time engolia o jeito de ser do(a) líder, ainda que fosse inadequado. Mas será que isso é justo? Certamente não. Ninguém é perfeito, mas algumas características precisam ser tratadas, sob pena de provocarem muito mal-estar nas pessoas com as quais se convive diária e diretamente.

Exemplo?

Agressividade

Arrogância

Desequilíbrio emocional

Dificuldade de ouvir

Quando se tem autoconsciência e o desejo de agir gerando mais impacto positivo, a pessoa faz uma boa autogestão então, administra seus humores e comportamentos, de forma a favorecer suas relações, inclusive sua maneira de lidar consigo mesma.

Quando estou falando sobre nosso funcionamento, em especial sobre o cérebro e todo o nosso sistema nervoso, lembro às pessoas de que somos isso aqui:



É fundamental que possamos reconhecer a nossa própria complexidade.

Imagine que você vem tendo péssimas noites de sono, ou está dormindo pouco, por motivos diversos. A qualidade da sua atenção vai cair, seu humor e disposição vão ficar prejudicados. Então, você decide, como um gesto de autocuidado, garantir que suas noites de sono sejam preservadas. Ao fazer isso, começa a perceber efeitos significativos não só no seu nível de bem-estar, como nas suas relações.

Perceba, o humor que é nocivo para você e para a sua equipe e relações em geral, não é apenas o agressivo, mas também aquele que expressa uma falta de energia e disposição tremendos, gerando um alto nível de mal-estar, pessimismo e medo.

O mapa do humor abaixo, é um ótimo exemplo para compreender essa ideia:



Bem, à medida que avançamos na qualidade da conexão conosco mesmos, é possível adquirir maior consciência social e praticar a empatia e o cuidado com o outro. Que envolve não só saber como as pessoas se sentem e como o trabalho transcorre por ali, mas também que todos saibam como estão indo, para onde estão indo – informações e objetivos claros, bem como corrigir a rota e comportamentos desviantes.

Então, sendo uma pessoa curiosa e interessada pela ampliação da consciência em níveis mais profundos, você pode buscar saber mais sobre os impactos do seu negócio no entorno, pode procurar compreender as necessidades das comunidades e grupos na sua cidade, no seu estado, e/ou país. Você pode se sensibilizar às causas ambientais e humanitárias, desde pequenas ações locais.

Além disso, um aspecto importante sobre a ampliação da consciência, está em questionar suas certezas, rever paradigmas, estudar, aprender, desaprender e seguir desenvolvendo seu pensamento crítico.

No dia a dia, nos meus atendimentos, aulas e programas nas empresas é comum as pessoas ansiarem por respostas prontas sobre os desafios da liderança e outros tipos de relacionamento. Mas o fato é que não existe uma reposta certa, quando estamos falando de relações no dia a dia. Cada um é um e esse é o maior desafio que temos, compreender que um tipo de abordagem com uma pessoa ou situação, não vai ter o mesmo resultado.

A liderança e as relações em geral, não são passíveis de receitas ou modelos padrão de comportamento. Quase sempre, é uma questão de tentativa e erro, desejando e se preparando obviamente, para o acerto. Mas sempre, com uma grande coragem, curiosidade e disposição para colocar a pele em jogo e criar relacionamentos de confiança a partir disso.

Então, podemos compreender a consciência aqui, como uma atitude responsável em relação às suas pegadas no mundo e principalmente, à percepção de que vivemos em sistemas complexos, que são impactados por cada ação ou inação nossa. Para navegar essas águas, a consciência se mostra como uma bússola poderosa, no sentido de garantir que nossa passagem em empresas e em todos os tipos de relacionamento que estabelecemos seja ética, respeitosa e sempre que possível, enriqueças outras experiências e vidas.

Que o homem possa morar em si, na comunidade dos homens, na comunidade dos seres vivos e na comunidade do cosmos. O homem precisa pegar de volta a responsabilidade pelo mundo que ele está criando. Guto Pompéia 

No próximo artigo falarei sobre o “presencing” da Teoria U, a atitude que corresponde a uma combinação entre o sentir e a presença.

Espero que esse texto tenha sido útil para você. Se desejar, compartilhe suas impressões.

E continue por aqui! Sou muito grata por sua presença!

Com carinho, 

Cynara Bastos 

Consciência e Liderança: qual a relação?

“A consciência acontece através do nosso corpo. O que somos capazes de sentir e que somos capazes de perceber com os nossos sentidos e elabo...